Cerca de uma em cada cinco crianças é vítima de violência ou abuso sexual.

Ajude a impedir que a sua criança seja uma vítima.

           Rosemeyre Molina

Psicóloga Pedagoga Psicopedagoga Psicomotricista
Via http://www.underwearrule.org/source/PT/text_pt.pdf

A Regra “Aqui ninguém toca” é um guia simples para ajudar os pais a explicarem aos seus filhos que partes do corpo não devem ser tocadas por outras pessoas, como reagir se isso acontecer e onde procurar ajuda.

O que é a Regra “Aqui ninguém toca”?

É simples: uma criança não deve se deixar tocar nas partes do corpo normalmente cobertas pela roupa interior assim como não o deve fazer aos outros.

Este guia ajuda também a explicar às crianças que são elas as donas do seu corpo e que existem segredos bons e maus, assim como contatos físicos bons e maus.

A Regra “Aqui ninguém toca” inclui cinco princípios importantes:

  1. O teu corpo é só teu

Deve ensinar-se às crianças que elas são donas do seu próprio corpo e que ninguém lhes pode tocar sem a sua autorização. É preciso falar de forma aberta e direta com as crianças, enquanto estas são pequenas, sobre a sexualidade e as zonas íntimas do corpo, empregando os nomes corretos para os órgãos genitais e outras partes do corpo. Ao fazer isso, estamos ajudando as crianças compreenderem o que não é permitido. As crianças podem recusar que as pessoas as beijem ou toquem, mesmo que sejam pessoas de quem elas gostam. É necessário ensinar-lhes a dizer «Não», de forma imediata e firme, a contatos físicos impróprios, bem como a fugir de situações perigosas e a contar o que se passou para um adulto de confiança. É importante dizer às crianças que elas devem insistir até que alguém leve o assunto a sério.

  1. Contato físico bom e contato físico mau

As crianças nem sempre sabem o que é um contato físico aceitável e um contato físico inaceitável. Ensine ao seu filho que não deve aceitar que os outros lhe vejam ou toquem nas partes íntimas do corpo ou que lhe peçam para ver ou tocar nas de outra pessoa. A Regra “Aqui ninguém toca” ajuda as crianças estabelecerem uma fronteira evidente e fácil de memorizar: a roupa interior. Também ajuda os adultos começarem a falar sobre este tema com os filhos. Certifique-se de que as crianças sabem pedir ajuda a um adulto de confiança, sempre que tenham dúvidas sobre o comportamento de uma determinada pessoa.

  1. Segredos bons e segredos maus

O segredo é a principal tática dos agressores. Por este motivo, é importante ensinar a diferença entre segredos bons e segredos maus e criar um clima de confiança. Todos os segredos que geram ansiedade, desconforto, medo e tristeza não são bons e não devem ser guardados. Pelo contrário, devem ser contados a um adulto de confiança (pais, professores, polícias, médicos).

  1. Prevenção e proteção – Responsabilidade dos adultos

Quando sujeitas a abusos, as crianças sentem vergonha, culpa e medo. Os adultos devem evitar criar tabus sobre a sexualidade e garantir que as crianças segurança e a quem se dirigir se estiverem preocupadas, ansiosas ou tristes. Os adultos devem estar atentos e receptivos aos sentimentos e comportamentos das crianças. Existem muitas razões que justificam que uma criança recuse contato com outro adulto ou outra criança, e essa recusa deve ser respeitada. As crianças devem sempre sentir que podem falar com os seus pais sobre este assunto.

  1. Outras indicações úteis e complementares à Regra “Aqui ninguém toca”

Informar e divulgar

As crianças devem saber identificar quais os adultos que podem fazer parte do seu círculo de confiança. Devem ser encorajadas a selecionar adultos em quem possam confiar e que estejam dispostos a ouvir e ajudar. Do círculo de confiança, apenas um membro deve viver com a criança, o outro não deve fazer parte do núcleo familiar. As crianças devem saber como procurar a ajuda deste círculo de confiança.

Agressores conhecidos

Na maior parte dos casos, o agressor é uma pessoa que a criança conhece. É especialmente difícil para uma criança pequena perceber que uma pessoa conhecida pode colocá-la em risco. Lembre-se que os agressores utilizam estratégias de aliciamento para ganharem a confiança das crianças. Em casa, a regra de ouro para as crianças deve ser contar aos pais sempre que alguém lhes ofereça presentes, peça para guardar segredos ou tente passar tempo com elas a sós.

Agressores desconhecidos

Em alguns casos, o agressor é desconhecido. Ensine aos seus filhos regras simples sobre o contato com estranhos: nunca entrar num carro com um desconhecido nem dele aceitar presentes ou convites.

Ajuda

As crianças devem saber que existem profissionais que os podem ajudar (professores, assistentes sociais, médicos, psicólogo da escola, polícia), bem como linhas de ajuda para as quais as crianças podem ligar para pedir conselhos.

Por que a Regra “Aqui ninguém toca”?

Cerca de uma em cada cinco crianças são vítima de alguma forma de violência sexual ou abuso sexual. Pode acontecer a qualquer criança, independentemente do gênero, idade, cor de pele, classe social ou religião. Os agressores são frequentemente, pessoas que a criança conhece e em quem confia. O agressor pode ser inclusive uma criança.

Ajude a impedir que o seu filho seja vítima deste tipo de violência. Uma boa comunicação com as crianças é fundamental e implica abertura, determinação, lealdade e um ambiente amigável e seguro.

A Regra “Aqui ninguém toca” pode dar-lhe uma ajuda. Nunca é demasiado cedo para ensinar a Regra “Aqui ninguém toca” às crianças, porque o risco de abuso existe em qualquer idade.

O que fazer se suspeitar de abuso?

Caso você suspeite que o seu filho foi vítima de abuso, é muito importante que não se zangue com ele. Evite que a criança sinta que fez alguma coisa errada. Não sujeite a criança a interrogatórios. Pode perguntar-lhe o que aconteceu, quando aconteceu e com quem, mas não deve pedir justificativas.

Procure não se mostrar perturbado à frente da criança. As crianças podem sentir-se culpadas e esconder as informação.

Tente não tirar conclusões precipitadas com base em informação insuficiente ou pouco clara. Garanta ao seu filho que vai fazer alguma coisa e contate alguém que possa ajudar, por exemplo, um psicólogo, um educador, um médico, um assistente social ou a polícia. Em alguns países, foram criados centros e linhas de ajuda destinadas a ajudar as crianças vítimas de violência sexual. Estas entidades também lhe podem dar orientações e devem ser contatadas nos casos em que uma criança possa ter sido vítima de violência sexual.

Onde encontrar mais materiais e informações?

O Conselho da Europa desenvolveu material para ajudar os pais a ensinar a Regra “Aqui ninguém toca”:

• um anúncio televisivo (com desenhos animados);

• um livro destinado a crianças entre dos três aos sete anos;

• cartazes e postais.

Todo este material pode ser descarregado em Web: www.aquininguemtoca.org.

A Regra “Aqui ninguém toca” faz parte da campanha “UMA em CINCO” do Conselho da Europa para combater a violência sexual contra as crianças. Para mais informações sobre outras medidas de prevenção e proteção que o Conselho da Europa está a promover, consulte a página Web: www.coe.int/oneinfive.