Por volta dos dois anos de idade a criança já está preparada para o início da retirada das fraldas. Mas, vale lembrar que cada criança tem o seu desenvolvimento e o seu tempo para aquisição de certas habilidades. Portanto, cabe aos cuidadores respeitar as particularidades de cada uma delas. A idade média de aquisição do controle de esfíncteres diurno ocorre aos três anos, mas, o controle noturno demora um pouco mais. Para garantir o sucesso na aprendizagem deve-se identificar quando a criança está preparada para tal e, então, acompanhá-la. A própria criança dará indícios de quando se deve iniciar o processo de aprendizagem. Um deles é quando ela aprende a dizer xixi ou coco. Então, os pais podem identificar horários em que o treinamento tenha mais êxito. Algumas crianças pedem para usar roupa íntima de “criança grande”. A roupa íntima também poderá ser apresentada como uma recompensa para despertar o interesse da criança em treinar os esfíncteres. Esse período é permeado de surpresas e é importante que os cuidadores se prepararem para encontrar a cama molhada no início do treino da retirada das fraldas, principalmente à noite. Isso é considerado normal, pelo fato de que entre os dois e cinco anos de idade, a criança não tem total controle esfincteriano. Além do clássico corte de líquidos, duas horas, antes de dormir (de estimulantes como chá, refrigerantes, café, leve a criança ao banheiro antes de deitar ou mesmo durante a noite. Reforce o ensinamento de como se deve fazer para urinar corretamente. Isso significa esvaziar a bexiga toda vez que utilizar o sanitário. Auxilie o pequenino se sentar confortavelmente e, com calma para eliminar toda a urina. Conforme estudos na área a criança urina na cama por dois motivos (se não estiver doente). O primeiro indicador é de que haja uma quantidade exagerada de líquido no organismo para ser eliminada e o outro é de que a criança possa ter a bexiga muito ativa e isso acarretará o acionamento demasiado de urina. Para tanto, deve-se observar “quantas vezes e em que quantidade nossos filhos urinam diariamente, e também a ingestão de líquido”. Quando a criança bebe muito líquido e urina pouco, provavelmente está inibindo a vontade de urinar durante o dia e relaxando à noite. E, se urina além do habitual, é provável que tenha bexiga ativa. O momento de retirada das fraudas deve ser um momento muito especial, de carinho e amor. Tornar o aprendizado descontraído propiciará melhores condições para garantir o sucesso. Explique sempre o que acontece no banheiro de forma que a criança possa entender que aquele lugar é o ideal para fazer o xixi e o coco. Para iniciar o processo, compre um penico de escolha da criança e deixe-o no lugar em que a criança costuma brincar. A criança deve explorar o objeto e ser estimulada a sentar nele com roupa, enquanto os pais explicam qual a sua serventia e brincam com ela. Quando a criança estiver familiarizada, coloque o penico no banheiro e passe as eliminações da criança da fralda para o penico na presença dela, sempre conversando e explicando o que acontece. Não puna ou castigue a criança por ter fracassado. Essa atitude só atrapalha o aprendizado. Elogie, mas sem exageros quando, a criança obter sucesso. Muitas vezes poderá ficar sentada no penico e no vaso sanitário sem fazer nada e assim que sair urinar ou fazer coco na roupa. É normal, lembre-se, o controle esfincteriano está apenas começando. Limpe a criança e faça tudo naturalmente. A repreensão da criança individualmente ou na frente de outras pessoas, quando ela não consegue avisar e sujar sua roupa soará como se fosse uma repressão de suas necessidades básicas e pode ter consequências negativas tanto no presente como no futuro. Estudos na área da medicina e teorias explicam o que ocorre quando a criança não consegue fazer o controle dos esfíncteres até o quinto ano. Os fatores mais apontados são: Predisposição genética: possibilidade dos filhos terem enurese aumenta 45 a 75 % se 1 ou os 2 pais (respectivamente) tiveram enurese. Provavelmente está relacionado a imaturidade neurológica dos mecanismos de acordar, aumento na produção de urina a noite ou retardo no desenvolvimento de uma maior capacidade da bexiga. Produção de maior quantidade de urina durante o sono: o normal é que as pessoas diminuam a produção de urina durante o sono, por ação de um hormônio chamado “Vasopressina”. Nas crianças com Enurese Noturna a produção deste hormônio durante o sono não é suficiente, e, portanto a criança produz mais urina, e termina perdendo urina involuntáriamente. Fatores emocionais: esse é muito discutível e pode consistir em um dos fatores desencadeadores. A Enurese influencia negativamente no desenvolvimento psíquico da criança e poderá gerar entre tantos, rebaixamento da estima e do auto conceito. Porém tais estudos apontam que os distúrbios psicológicos, emocionais como a Perda de Auto-Estima são o resultado e não a causa da Enurese Noturna Primária Monosintomática. Mais algumas dicas úteis: – Use o penico portátil – estando disponível facilmente favorecerá a criança a experimentação de certa independência. – Deixe a criança com pouca roupa – sem a segurança da frauda, ela desenvolverá a habilidade da alerta e poderá identificar de modo mais ágil quando ela deseja fazer suas necessidades fisiológicas. – Utilize roupa apropriada para o treinamento. Essas devem ser de algodão ou descartáveis, confortáveis e de fácil manuseio para a criança. – Seja paciente, esse processo de aprendizagem poderá levar meses e também é comum comportamentos regressivos nessa etapa de treinamento. E, não espere que a criança faça o controle noturno ao mesmo tempo em que ocorre o diurno e irá requer mais investimento por parte da criança. O aprimoramento da habilidade de urinar e evacuar controlando os reflexos deve consistir numa experiência positiva para a criança.

Pesquisa Bibliográfica realizada por Rosemeyre Molina Loch

Psicóloga / Pedagoga / Psicopedagoga / Psicomotricista